sexta-feira, 17 de maio de 2013

17/05/2013 - 9 anos da Ação Popular contra o Lixão


17/05/2013 - 9 anos da Ação Popular contra o Lixão
Hoje, 17 de maio de 2013, passados 9 anos do ingresso da Ação Popular contra o Lixão da Camélia em Tapes e há um ano e 10 meses do fechamento do Lixão ocorrida em 31 de julho de 2011, o assunto resíduos sólidos ainda é problema para a Administração Municipal e para os munícipes, que continuam sofrendo as consequências da falta de uma política pública que atenda e possa resolver a questão dos despejos irregulares, depósitos clandestinos, bota-foras e lixões urbanos.
Um assunto que em 2004, acabou gerando a necessidade de ingresso na justiça de uma Ação Popular para fechar um lixão a céu aberto e que poluiu por 29 anos uma área de importância ambiental.
As denuncias que já vinham sendo feitas desde 1997 aos órgãos ambientais e ao Ministério Público, não surtiram o efeito esperado, quando as administrações de 1998 até 2003 mantiveram o descalabro no local, sem nenhuma operação correta e negligenciando as licenças emitidas.
No ano de 2000, a Prefeitura assinou um TAC (Termo de Ajustamento de Conduta) que foi descumprido pelas administrações seguintes e que continuaram de forma absurda os despejos de toneladas de lixos de todos os tipos, ampliando o caos ambiental e o descontrole sobre a área.
Em 2001, o vice-prefeito na tribuna da Câmara desafiou a justiça a fechar o lixão, tendo logo em seguida sofrido a primeira interdição, que manteve o lixão sem receber lixos por quase dois anos, quando tiveram que levar os lixos para Minas do Leão.
Em 2004, após tratativas 'estranhas' com a FEPAM, a Prefeitura conseguiu uma autorização, e não uma Licença de Operação, e que foi emitida apenas dois meses após o ingresso da Ação Popular, para justificar obras que alegavam terem feito com investimentos na ordem de R$ 100 mil reais e nenhum real em água potável para a comunidade que vivia a 500 metros dos buracos onde depositavam os resíduos da cidade.
O motivo da Ação Popular, além do crime ambiental, foi justamente a insalubridade e periculosidade da água consumida pela população da área, oriunda de cacimbas abertas no solo, momento em que os ambientalistas deram por encerrada a comunicação e partiram para a ação judicial, e que demorou 8 anos para obter resultados concretos.
Em novo governo, no ano de 2005, a continuidade da má operação e negligência, culminaram em outubro daquele ano, em um segundo TAC, que restou descumprida pela administração e desde julho de 2006, passaram a operar o local sem licença ambiental, utilizando de argumentos de 'aval' do Ministério Público para continuarem os despejos, mesmo sem o conhecimento da FEPAM e apenas com um Parecer 'ilegal' e criminoso de parte do COMPEMA que autorizou os despejos por tempo indeterminado, aceito pelo Ministério Público igualmente de forma 'ilegal' e criminosa.
Desde 2006 até o ano de 2010, as negligências se ampliaram e o crime ambiental perdurou no tempo com o Governo de Tapes usando o 'aval' do MP para justificar a continuidade dos despejos, feitos sem nenhum cumprimento das normas ambientais e com apoio de técnicos que validaram aquela operação, atestando que o local operava corretamente, enquanto em verdade, a situação era de descalabro contínuo, com pleno conhecimento do órgão ambiental e MP do estado, que permitiram e não deram solução.
Em 2008, numa jogada eleitoral, o governo inaugura a Usina de Triagem, oriunda do TAC de 2000, e produz a ideia de que estavam solucionando o problema dos resíduos da cidade, mas não investindo em coleta seletiva ou educação da população. A continuidade dos problemas seguiu sua rota normal, se mostrando inviável no decorrer do tempo, quando as promessas feitas aos catadores e carroceiros começaram a não ser cumpridas pela administração pública.
Em 2010, após recebermos apoio de jornais, rádios e TVs do estado, começou a ser fechado o cerco, quando tanto os órgãos da Justiça, Ministério Público, FEPAM, Prefeitura e Geólogo contratado foram acusados de serem omissos, cúmplices e participes na degradação ambiental, na má operação e na falta de regularidade do licenciamento. Em 2011, o MP de Tapes desmente a Prefeitura, que havia usado do argumento do ‘aval’ para os vereadores da cidade.
No mesmo ano de 2011, a Justiça Pública de Tapes, mesmo tendo decidido pelo fechamento outras 4 vezes do local, desta vez condenou o Município pelo crime ambiental, pela infração administrativa ambiental e pela má operação e que ocasionou os efeitos poluidores na área.
Em 31 de julho de 2011, a Prefeitura por ordem judicial fechou o local, sem que até o momento, a FEPAM tenha autorizado o município para recuperar a área degradada. Antes do fechamento, com o objetivo de esconder o crime, foram tapados os buracos com toneladas de entulhos e restos de podas de árvores, além de outros materiais recolhidos na cidade e lançados nos buracos abertos cheios de lixos domésticos.
A FEPAM, por sua vez, além da decisão judicial que pedia o fechamento e encerramento dos despejos, também optou por um processo administrativo impedindo a prefeitura de continuar a despejar os lixos, devido as irregularidades e despejos poluentes.
Mesmo que o lixão tenha sido fechado, atualmente, os lixões urbanos se ampliaram, por total falta de competência e ação pública para fazer a gestão dos resíduos.
Após perderem o prazo estabelecido pela Lei Federal, e não terem realizado as ações para promover o debate e gerar uma lei municipal para a gestão dos resíduos na cidade, hoje Tapes convive com focos de lixões urbanos, sem a devida fiscalização e operação pública para impedir e coordenar atividades voltadas à solução.
Em 2013, mesmo com a IV Conferencia Nacional de Meio Ambiente tendo como tema a gestão dos resíduos sólidos, a Prefeitura de Tapes desconsiderou proposta dos ambientalistas de promover uma etapa municipal que viria de encontro a captação de subsídios e informações para a elaboração de um Plano Municipal de Gestão dos Resíduos Sólidos, negligenciando mais uma vez o assunto, sem que tenham tomado alguma atitude para acabar com o problema e coordenar ações para educar a população, promover a coleta seletiva e gerar resultados positivos com o aproveitamento dos resíduos.
Atualmente, se espera que a Prefeitura contrate uma empresa, com dinheiro do Estado, para fazer o plano de saneamento, quando os resíduos sólidos terão um capítulo nesta lei, que não sabemos quando será iniciada ou concluída a pesquisa, audiências e promulgação de uma lei.
A vitória dos ambientalistas se deu pela ignorância, inabilidade e sentimento de impunidade de parte dos gestores públicos, que acreditavam 'não daria nada' toda a ação judicial e ativista que manteve durante 13 anos a Prefeitura na parede.
O ex-prefeito municipal responde criminalmente pelas negligências, bem como o geólogo que atestava não existir crime ambiental também responde pelo crime.
Mesmo que a realidade mostrasse outra versão, a continuidade do crime contra o meio ambiente, a improbidade administrativa, e outros crimes arrolados no decorrer de 29 anos de existência deste lixão, ainda não recuperado, deixaram margem para a decisão judicial, sem que o tráfico de influências, omissões e prevaricações pudessem continuar sendo usado para manter o lixão aberto e funcionando.
Fonte: REDE Os Verdes

quarta-feira, 20 de março de 2013

Grupo de Trabalho discute preservação do Butiazal em Tapes

Grupo de Trabalho discute preservação do Butiazal em Tapes
Em dia de chuva em Tapes, o GT sobre a criação da UC dos Butiazais 'choveu no molhado', literalmente, quando novamente as informações que importam aos proprietários e ambientalistas, não foram satisfatoriamente atendidas. O encontro, realizada em Tapes/RS, foi no dia 15 de março, no Pontal Tapes Hotel.
A necessidade de conhecer o projeto, os limites, os impactos socioeconômicos e os benefícios ambientais da criação de algum modelo de Unidade de Conservação prevista na legislação em vigor, continuou sendo o fator que determinará quaisquer ações jurídicas ou administrativas que venham a declarar a área em questão, sugeridas como uma APA de 11 mil hectares. Esta seria a proposta defendida pela FZB/RS e Ministério Público, segundo a Promotora da Comarca, Carla Pereira, que comandou a audiência na ausência do Dr. Alexandre Saltz, por força de outros compromissos antes agendados.
A discussão migra para um tema que importa a cidade, com segundo estimativas do Prefeito Silvio Rafaeli, que giram em torno de 74% de retorno com os impostos ao município, pagos pelo setor. Assim, culturas tradicionais na região, arroz e eucaliptos, além da criação de gado, agora com a soja avançando pela região, fica a economia versus ecologia no centro da discussão, num debate que precisa de um norte que venha à esclarecer em primeiro lugar aos interessados privados, governo e sociedade civil, para que conhecendo o assunto, se discuta os afetos que existirão para serem minimizados os impactos, mitigadas as ações de produção e recuperadas determinadas áreas com produção de espécies como eucaliptos e pinus, sendo muitas destas lavouras plantadas irregularmente.
Quanto a dimensão da importância ambiental e ecológica da região que compreende a Coxilha das Lombas, na proposta da FZB a área que tem maior importância, vários estudos apresentados nos últimos anos apontam para a grande fragilidade ambiental destes ambientes que se relacionam, por este motivo a necessidade de corredores biológicos com a função de permitir e proteger a fauna existente e evitar que impactos como plantações de eucaliptos interfiram nestes ciclos para a conservação da fauna.
Em despacho da FEPAM em 2007 (Indeferimento de Licença nº 26/2007-DL), quando do indeferimento de uma Licença ambiental para plantio de Silvicultura com Espécies Exóticas, numa área de 267,25 ha com eucalipto para a Aracruz Celulose, a justificativa foi de que "a área em questão encontra-se dentro de uma área de grande fragilidade ambiental, formada originalmente por uma matriz heterogênea composta por áreas úmidas, terraços lacustres, capões florestais, abrangendo um universo de pelo menos 2.021 espécies da fauna e flora, sendo mais de 27 espécies consideradas ameaçadas de extinção. A região dos butiazais de Tapes apresenta evidente fragilidade ambiental, sendo uma das áreas prioritárias para a conservação da biodiversidade. Somente poderão ser realizados empreendimentos nesta região após definição da forma de conservação destes ambientes, bem como a delimitação final dos mesmos." - (Processo nº 4324-05.67/07-0)
Esta preocupação, quanto a existência de plantios 'clandestinos' na região, sem licenças ambientais e em áreas que não poderiam estar, é antiga e até mesmo sem solução, visto total falta de fiscalização do Estado.
A publicação do Livro RS Biodiversidade trouxe ao conhecimento da sociedade, os estudos realizados pela Fundação Zoo botânica do Rio Grande do Sul, com recursos do MMA/PROBIO e que apontaram para a existência de dezenas de espécies que precisam de atenção redobrada no sentido de sua preservação, uso sustentável e aproveitamentos para pesquisas cientificas. A UERGS de Tapes desenvolveu com êxitos, projetos feitos por alunos do Curso de Tecnologia Ambiental, e que da mesma forma, apontaram possibilidades ações que venham a contribuir na criação e gestão de uma UC para os Butiazais de Tapes.
Os encaminhamentos da reunião foram para que no próximo encontro sejam apresentados pela FZB/RS mapas detalhados, com coordenadas para saberem os proprietários, onde irá incidir a demarcação de algum tipo de UC que possa ser implantada na área de 11 mil hectares, e quais estudos de parte da EMBRAPA e EMATER, participantes do Projeto RS Biodiversidade para o uso sustentável do fruto do butiá, e podem ajudar na economia das pequenas propriedades.
Participaram desta segunda reunião para debater a preservação do Butiazal, as entidades: Ministério Público de Tapes, FARSUL, Comitê da Bacia do Lago Guaíba, EMBRAPA, EMATER, FZB/RS, Os Verdes de Tapes, COMPEMA, Prefeitura de Tapes e Barra do Ribeiro, SMMA de Tapes, UERGS, Sindicato Rural de Tapes e Barra do Ribeiro.
Importante reunião sobre o tema do uso sustentável do Butiá foi realizada em Pelotas/RS, nos dias 18 e 19 de março onde foram apresentados estudos, projetos e ações desenvolvidas dentro do Projeto RS Biodiversidade e os parceiros executores destes projetos.
Fonte: REDE Os Verdes/via Facebook

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Às margens da Lagoa dos Patos, butiazal ocupa 800 hectares no RS

Butiazal ocupa 800 hectares em Tapes (Foto: Reprodução/RBS TV)
Às margens da Lagoa dos Patos, butiazal ocupa 800 hectares no RS
Maior floresta de butiás do Rio Grande do Sul fica em Tapes. No local vivem pelo menos 50 espécies ameaçadas de extinção no estado 
O maior butiazal contínuo do Rio Grande do Sul fica a menos de 100 quilômetros de Porto Alegre, no município de Tapes, no limite com Barra do Ribeiro. O conjunto de árvores da família das palmeiras, que ocupa uma área de 800 hectares, é o que sobrou da vegetação que ocupava  grandes extensões no estado há milhares de anos, quando o clima era mais frio. Nesta paisagem típica da costa e do Pampa, vivem pelo menos 50 espécies ameaçadas de extinção.
Durante um ano, o Nossa Terra vai desvendar a fauna e a flora do Rio Grande do Sul em imagens inéditas. Além dos programas na RBS TV, será possível conferir todo o conteúdo, os bastidores e reportagens exclusivas no site do projeto dentro do G1 Rio Grande do Sul (clique aqui para acessar).
Pelo menos 50 espécies ameaçadas de extinção vivem na região
(Foto: Reprodução/RBS TV)
“Este butiazal chama a atenção pelo tamanho e a densidade. O fato de ser uma área ainda conservada faz com que encontremos lá várias plantas e animais que já são raros em outros locais”, afirma o botânico Fernando Becker, que coordenou um estudo sobre o local realizado pelo Projeto de Conservação e Utilização Sustentável da Diversidade Biológica Brasileira (Probio), do Museu de Ciências Naturais da Fundação Zoobotânica do RS.
Na pesquisa foram avaliadas 385 espécies de plantas, 220 de aves, 30 de répteis e 425 de cascudos. Os estudiosos encontraram inclusive um exemplar de mini lagarto julgado extinto. “O butiazal é remanescente de uma paisagem do passado, quando a temperatura era mais amena e propícia à formação de campos. Com as mudanças climáticas, o tempo ficou quente e úmido, favorecendo a diversidade”, informa o botânico.
Às margens da Lagoa dos Patos e cercados pela Mata Atlântica, há butiás com centenas de anos. “Os indivíduos maiores têm entre 100 e 200 anos”, diz Becker. No entanto, de 2004 a 2011 parte do local foi utilizado como um lixão da prefeitura. Atualmente, após processo judicial, a área está livre do entulho e deve ser transformada em uma unidade de conservação. "O ideal é compatibilizar a manipulação da terra, por criadores de gado e agricultores que têm terras nos arredores, com a preservação da área", avisa.
Floresta ocupava grandes extensões no estado há milhares de anos (Foto: Maria Maurente/RBS TV)
Fonte: G1/RS